31 janeiro 2008

Durão Barroso possível candidato a Nobel da Paz


Joaquim Couto candidato?

O nome de Joaquim Couto voltou à ribalta. Há quem diga que está a preparar uma candidatura à Câmara de Santo Tirso e nesta altura já não falta quem comente o assunto. O antigo presidente da Câmara e actual deputado do PS, diz que não, mas também diz que tem saudades do cargo e que não pode pôr de parte a hipóteses de uma nova candidatura à presidência da autarquia tirsense.

É assim o grande destaque do Jornal EntreMargens em conversa com Joaquim Couto.
Nas últimas semanas foram vários os e-mails que recebi (como eu muita gente deste conclho) de um suposto grupo de militantes do PS que descontentes com o desempenho de Castro Fernandes na Câmara Municipal de Santo Tirso, apelam a uma candidatura independente de Joaquim Couto.
Em revelações ao Jornal avense, Joaquim Couto afirma não ser verdade que ele esteja a organizar uma candidatura, contudo revela: não morri politicamente, continuo no pleno uso das minhas capacidades políticas.

Estará mesmo Joaquim Couto predisposto a apresentar uma candidatura independente? Saudades da gestão autárquica será o motivo? Ou perante a incapacidade governativa do Eng. Castro Fernandes em fazer de Santo Tirso um concelho mais desenvolvido e consequente descontentamento da população tirsense serão os verdadeiros motivos da sua possível candidatura?

Esperar para ver...

30 janeiro 2008

Os "guimarenenses"!

Estão aqui muitos guimarenenses.

Hoje à tarde fui assistir ao jogo que opôs o Desportivo das Aves ao Vitória de Guimarães, no reduto do primeiro, a contar para a Liga Intercalar. Qual o meu espanto quando oiço determinado indivíduo a dizer a outro a frase acima citada.
Toda a gente sabe (ou devia saber) que aos habitantes de Guimarães chamamos vimaranenses e aos adeptos do seu clube, vitorianos.
Entretanto, o término do jogo ditou uma vitória de 2-1 dos avenses sobre os "guimarenenses"!

Tráfico de seres humanos: um grave problema social


É uma notícia avançada pelo Diário Digital e considero importantíssimo ler na íntegra. Este grave problema social afecta milhões de pessoas em todo o mundo, sobretudo crianças, e Portugal não é excepção.

...obrigados a prostituir-se, mendigar, cometer delitos ou que foram vítimas de redes internacionais que os utilizaram em trabalho infantil, adopções ilegais ou tráfico de órgãos.

De acordo com o «Relatório sobre Tráfico de Pessoas 2007», publicado em Junho passado pelo Governo dos Estados Unidos, Portugal «serve de destino e trânsito para o tráfico de seres humanos» e integra o segundo grupo do ranking de países que não cumprem os requisitos mínimos recomendados para o combate a este flagelo, embora se «esforce para erradicá-lo».


Vamos continuar parados face a este flagelo social? Ou seremos capazes de atenuar este fenómeno com vista à sua posterior erradicação?

29 janeiro 2008

Pessimismo na sociedade portuguesa (II)


- 89% dos portugueses consideram que a situação do nosso país é má;
- 94% dos portugueses estão insatisfeitos com o mercado de trabalho;
- apenas 10% revela alguma satisfação a nível de bem-estar social;
- a sociedade portuguesa revela um enorme pessimismo face aos anos futuros: só 16% acredita numa melhoria económica e 15% acredita num aumento da situação financeira do agregado familiar;
- os maiores problemas com que se deparam os portugueses são o desemprego, a inflacção e situação económica do país; e os problemas no sistema de saúde.


Fonte: JN

[...]

Não sei se isto é amor. Procuro o teu olhar,
Se alguma dor me fere, em busca de um abrigo;
E apesar disso, crê! nunca pensei num ar
Onde fosses feliz, e eu feliz contigo.

(...)

Se é amar-te não sei. Não sei se te idealizo
A tua cor sadia, o teu sorriso terno...
Mas sinto-me sorrir de ver esse sorriso
Que me penetra bem, como este sol de Inverno.

(...)

Eu não sei se é amor. Será talvez começo...
Eu não sei que mudança a minha alma pressente...
Amor não sei se o é, mas sei que te estremeço,
Que adoecia talvez de te saber doente.

Camilo Pessanha

Comunistas portugueses uni-vos!...e evoluam

Ora o que fazem os comunistas portugueses? Em vez de se prepararem para as grandes batalhas que aí vêm, sindicais e políticas, no respeito pelos seus aliados naturais e pelo pluralismo, metem a cabeça na areia, como a avestruz, recusam-se a ver as novas realidades do mundo de hoje, em plena transformação e, em lugar de relerem Marx, com os olhos críticos de hoje e terem em conta a tão valiosa experiência adquirida, desde então, continuam apegados à cartilha stalinista e metem-se no bunker, prontos a morrer na sua, com os olhos vendados ao futuro. É lamentável!

Mário Soares, Diário de Notícias


Por uma vez, concordo com Mário Soares. Os comunistas parecem parados no tempo, recusam-se a perceber a realidade actual com que se deparam. Por contrário, continuam a viver uma realidade de há trinta e tal anos atrás, continuam a imaginar um país utópico e irrealista à boa maneira de Thomas More. Persistem numa luta anti-capitalista e vivem com essa perseguição ao capitalismo, como há uns tempos atrás Sócrates acusava o líder do PCP de ter a mania da perseguição do capitalismo. Continuam a proclamar uma luta entre a burguesia e o proletariado.
Reivindicam mil e uma coisas que sabem que, seja o poder central, seja o poder autárquico, não são capazes de cumprir. Estando os comunistas no poder seriam eles capazes de cumprir tudo o que pedem e reivindicam? Claro que não! Fazem-se amigos do povo porque sabem que como nunca estarão no poder, nada terão de cumprir.

O país mudou, a sua realidade demográfica, económica, social, cultural, política também mudou. Mudem também e adaptem-se à nova realidade.
Porque não relerem Marx, com os olhos críticos de hoje e terem em conta a tão valiosa experiência adquirida?

28 janeiro 2008

A comunicação social e os seus agentes

Excelente este artigo do sociólogo António Barreto! Os meios de comunicação social, os agentes de imagem, as agências de comunicação, a sua persuasão sobre políticos e mesmo sobre a sociedade civil. Vai um pouco de encontro aquilo que aqui falei em o Tempo das Imagens.

TÊM VÁRIAS DESIGNAÇÕES. Assessores. Conselheiros. Encarregados de relações com a imprensa. Agentes de comunicação. Ou, depois do choque tecnológico, Press officers e Media consultants. Sem falar nos conselheiros de imagem. Povoam os gabinetes dos ministros, dos secretários de Estado, dos directores gerais, dos presidentes e dos gestores. Vivem agarrados aos telemóveis, aos BlackBerries, às Palms e aos computadores. Falam todos os dias com os administradores, directores e jornalistas das televisões, das rádios e dos jornais. Dão, escolhem, programam e escondem notícias. Mostram aos políticos e aos gestores o que é do interesse deles. Planificam a informação. Calculam os efeitos e contam as referências feitas na imprensa. Tratam da imagem, compram camisas para os seus mestres, estudam-lhe as gravatas, preparam momentos espontâneos, formulam desabafos, encenam incidentes e organizam acasos. Revelam a intimidade que se pode ou deve revelar. Calculam os efeitos negativos de uma decisão sobre os impostos, que articulam com as consequências positivas de um aumento de pensões. A fim de contrabalançar, colocam o anúncio de Alcochete logo a seguir ao do referendo europeu. Fazem uma planificação minuciosa das inaugurações. Escrevem notícias com todos os requisitos profissionais, de modo a facilitar a vida aos jornalistas. Mentem de vez em quando. Exageram quase sempre. Organizam fugas de imprensa quando convém. Protestam contra as fugas de imprensa quando fica bem. Recompensam, com informação, os que se conformam. Castigam, com silêncio, os que prevaricaram. São as fontes. Que inundam ou secam.

OS JORNAIS PARECEM-SE UNS COM OS OUTROS. As notícias são quase iguais. As agendas das redacções são gémeas. Salva-se, desta uniformidade, aqui e ali, quem assina o que escreve. Os noticiários das televisões têm agendas iguais. E alinhamentos de notícias também. Os directos, grande vício da televisão portuguesa, são iguais em todos os canais. Cada vez mais, a informação está previamente organizada, não pelas redacções, não pelos jornalistas, mas pelos agentes e pelos assessores. Quem tem informação manda em quem investiga, escreve e transmite. Grande parte da informação é encenada e manipulada, de acordo com as conveniências. Há informação reservada para melhores momentos, informação programada para dramatizar, informação inventada para divertir e informação acelerada para consolar. Isto acontece há anos. Em Portugal e no mundo inteiro. Todos os anos, a situação piora. Com Sócrates, refinou. O poderio das organizações de comunicação é avassalador. A opinião pública não tem meios para escolher e resistir. Só a independência dos jornalistas poderia fazer frente a este domínio inquietante. Mas esta é um bem raro. Até porque os empregos na informação são cada vez mais precários.

A RECENTE POLÉMICA SOBRE AS AGÊNCIAS DE COMUNICAÇÃO, novo episódio numa longa série, mostrou esta actividade no seu pior. As mesmas agências comunicam a favor dos adversários, da política e da economia, da polícia e do ladrão, do governo e da imprensa. Do atirador e do alvo, como disse Pacheco Pereira. Até a Entidade Reguladora para a Comunicação, sem ver os efeitos nefastos, achou por bem ter uma agência a tratar da sua informação. O governo tem a sua. Luís Filipe Menezes também: em vez de denunciar a prática do governo, quis imitá-lo. Foi preciso Santana Lopes, em momento inspirado, opor-se a este despotismo: “O modo e o conteúdo da comunicação fazem parte do domínio da liberdade absolutamente inalienável de cada deputado”.

LUÍS MARQUES, JORNALISTA HÁ VÁRIAS DÉCADAS e com experiência da redacção, da direcção e da gestão da informação, em jornais e na televisão, fez há poucos anos um pequeno estudo sobre as “agendas” de informação. Chegou a resultados surpreendentes. Contando apenas os grandes órgãos de informação generalistas e nacionais, com exclusão das secções mundanas e outras, havia em Portugal cerca de 1.500 profissionais. Para os alimentar de informações, os assessores, as agências de comunicação e outros somavam quase 3.000. Quer dizer, por cada jornalista em actividade na informação política e económica, dois profissionais preparavam as agendas e as notícias. É esta gente que inunda as redacções com “factos”, “eventos”, “oportunidades” e “situações”. Qualquer redacção tem dificuldade em resistir-lhe. Se, às 20.00 horas, o Primeiro-ministro sai de um lar de idosos, entra numa creche ou produz uma declaração espontânea, como pode uma redacção decidir não estar presente? É este exército o responsável por grande parte das “entradas” que, durante a manhã, enchem as agendas das redacções. Num grande canal de televisão, essas entradas podem hoje chegar às 1.000 por dia, enquanto eram cerca de 100 há quinze ou vinte anos. Na agenda diária da redacção de um canal de televisão, perto de um terço das entradas (mais de trezentas...) é feito directamente pelas agências de comunicação e pelos assessores dos gabinetes e das instituições. Mais ainda, é aquela brigada que, muitas vezes, sobretudo na informação económica, redige as notícias. Nas redacções, povoadas hoje por jovens estagiários e inexperientes, mas também por seniores preguiçosos, publicar directamente as notícias assim preparadas, ainda por cima por jornalistas e antigos jornalistas treinados, é a solução mais simples. Por isso, é frequente vermos, sem menção de publicidade, notícias económicas absolutamente iguais em vários jornais.

HÁ QUEM PENSE QUE É ISTO A MODERNIDADE. A informação racional da época contemporânea. O sinal da eficácia. O instrumento da transparência. Mas desenganem-se os crédulos. O objectivo dos assessores e das agências de comunicação é sempre o de defender os interesses do autor da informação, nunca do destinatário, do cidadão. A única preocupação do agente é a de vender o mais possível, nas melhores condições, bens ou ideias, mercadorias ou decisões. Os agentes de comunicação não defendem os interesses dos compradores, dos consumidores ou dos espectadores, mas tão só dos vendedores, dos produtores e dos autores. Apesar de pagos pelos eleitores, servem para defender os eleitos. Este é o mundo em que vivemos: a mentira é uma arte. Esta é a nossa sociedade: o cenário substitui a realidade. Esta é a cultura em vigor: o engano tem mais valor do que a verdade.

Um mundo de marionetas

O poder total só pode ser conseguido e conservado num mundo de reflexos condicionados de marionetas sem o mais leve traço de espontaneidade.
Hannah Arendt, O Sistema Totalitário (1978)


Será que hoje ainda podemos falar num poder que é exercido num mundo de marionetas? O poder totalitário exercido, por exemplo, por Hitler e Estaline de que nos fala Arendt na sua obra O Sistema Totalitário poderá hoje ter as suas implicações? Até que ponto somos nós marionetas daqueles que nos governam e ditam aquilo que podemos ou não fazer? Até que ponto a ASAE faz dos portugueses marionetas? Até que ponto os meios de comunicação social fazem de nós marionetas ao nos darem a sua visão dos acontecimentos que chegam de todo o mundo e modelam os nossos comportamentos e modelam a visão que vamos ter desses acontecimentos? Quem somos nós? Agimos condicionados? É-nos dada espontaneidade total nos nossos actos?

O bom e o mau do futebol

Este fim-de-semana o cenário futebolístico ficou marcado por situações lamentáveis no desporto. No Vitória Guimarães - Benfica do passado Sábado, que marcou a vitória do clube encarnado por 3-1, os incidentes nas bancadas foram mais que muitos, sobretudo vindo dos adeptos benfiquistas.
Situações destas dispensam-se porque mancham um espectáculo que tinha tudo para ser bonito tendo em conta que estavamos perante o maior clube português (o Benfica) e aquele que é indiscutivelmente o 4º grande clube português e que esta época é, para mim, o clube que tem vindo a apresentar o melhor futebol (o Vitória de Guimarães). Seja neste ou em qualquer jogo, situações de violência e crime dispensam-se. O que aconteceu no Sábado por parte de adeptos do meu clube, inclusive com o esfaquemento a um adepto vitoriano, é deveras lamentável. Isto tem de acabar.


Contudo, temos de convir que o Benfica é o maior clube português e o Vitória tem sido uma equipa excepcional esta temporada, um verdadeiro Grande, e a sua vitória no jogo implicaria a conquista do 2º lugar deixando o Benfica a descer um lugar na tabela classificativa. Naturalmente os adeptos sentiam-se enervados.
Mas a violência não pode servir de desculpa para nada. Este tipo de cenas têm de ser combatidas ou, pelo menos, atenudas. Castigadas independentemente de que clube venham. Só que parece que quando vêm do Benfica isso causa incómodo a muita gente, porque será? Pura inveja da sua dimensão e grandeza!

26 janeiro 2008

Do Futebol à Política

Na terça-feira o futebolista internacional português Ricardo Quaresma renovou até 2011 o contrato com os tripeiros. Tudo em pratos limpos – até ver. O ilustre cidadão de etnia cigana – sem qualquer intuito discriminatório, muito menos xenófobo – declarou-se muito contente com o facto e até aproveitou a ocasião para confessar que existia um carinho mútuo entre si e o clube.

Quaresma que tinha sido assobiado faz hoje oito dias no estádio do Dragão, exigira no final da partida com o Desportivo das Aves o fim desse tipo de apupos sonoros e disse que os adeptos tinham pesadelos com ele. Isso deixou nos espíritos uma dúvida atroz: teria ele avisado da possibilidade de deixar o clube no final da temporada?

Tudo parece ter terminado em bem. Parece, sublinha-se, que nisto dos futebois o que é hoje pelas dez horas da matina é branco, pelo almoço, à uma da tarde, é negro e ao lanche é cinzento. E, muito possivelmente, à janta já é castanho camurça.

Se extrapolar ainda é permitido, deixem que vos diga que já não vou nessas andanças. Um homem, chiça, tem o direito de mudar de opinião. Parafraseando a terminologia do hemiciclo, na generalidade e na especialidade. Com o Orçamento do Estado também assim acontece e – para além de disso não vir mal ao Mundo, na generalidade, para os Portugueses pode ser uma porra, na especialidade.

Não subsistam dúvidas. Nós somos assim, enxertados em corno de cabra, são mais de oitocentos anos acumulados de disse-que-disse-mas-não-disse. Já dizia o romano Sertório, depois de se ter transferido (não é sabido por quanto) para os lusitanos – vá lá entender-se esta gente. Não se governa, nem se deixa governar.

São muitos séculos a blindar tal maneira de ser. De dúvidas estão Portugal e a sua História cheios. De respostas miraculosas, também. Veja-se o caso do malfadado aeroporto. Antes, na Ota. Críticas quase absolutas. Agora em Alcochete. Críticas a roçar igualmente o absoluto.
Querem mais? O bacalhau, perdão, o BCP/Millennium com todos, desde o Eng. Gonçalves que foi para o jardim carpira as mágoas, até ao Dr. Constâncio que devia ter feito e não fez, melhor, que o que fez de manhã era bem diferente do que afirmou na antecâmara de um cozido à portuguesa – e por aí fora. Pelo menos Oposição dixit.

E a queima dos resíduos sólidos? E o encerramento das Urgências hospitalares? E as acrobacias do Dr. Menezes e do Dr. Portas? E o punho cerrado (com c, acentuo) do Sr. Jerónimo de Sousa? E o exibicionismo do Dr. Louçã? E o Bragaparques? E o caso Casa Pia? E, e, e?

Sr. Lewis Caroll – se tivesse atempadamente conhecido este cantinho à beira-mar plantado – poderia muito bem ter colocado aqui a Alice, o Coelho Branco, o Gato Risonho, o Chapeleiro Maluco ou a Rainha de Copas. Esta é, sem dúvida, a Wonderland, e com muita pinta. Bué de fixe, como dizem os meus netos.

Por isso, o episódio da estrela Quaresma teve tanta importância. Ou, mais precisamente, lhe deram tanta importância. (...)Por cá, os pretores cada vez mais tratam das coisas menores. E com uma agravante: o Governo, qualquer que seja, é sempre mau, péssimo, por isso vá de o tratar de escacha pessegueiro.

Ainda assim, ninguém lhe apontou o dedo, culpando-o das declarações aparentemente contraditórias de Ricardo Quaresma. Ou da renovação do contrato, assinada pelo Sr. Jorge Nuno. Ou da distância quilométrica que os Dragões já levam sobre os seus perseguidores (?) na Liga.
Ponha-se a pau, Sr. Sócrates. Desta nossa gente, de nós, há que esperar tudo. Um destes dias, mal se precata, e o seu Executivo poderá passar a… Executado. E sem direito a indemnização, por alegada justa causa, muito menos a pensão de reforma
. .

Antunes Ferreira no Sorumbático

25 janeiro 2008

Quatro anos de saudade


Amanhã há Vitória de Guimarães - Benfica. O húngaro será certamente lembrado.

21 janeiro 2008

Socióloga Avense na blogosfera

Li hoje com imenso prazer, uma vez mais, o blogue da excelente socióloga que é a portuguesa Helena Antunes. Vou lá com frequência. Estilo directo, escorreito, olhar que vai a todas, sensibilidade atenta à variedade da vida, alternância da análise com a citação, da alegria com a tristeza, da frieza com o espanto, uma escrita ática, bisturi elegante que não esquece seja o partido a que pertence seja o clube de futebol que ama. Uma máquina fotográfica excelente num layout sóbrio e belo. A Helena não está horas a discutir o sexo dos anjos, não exibe livros e autores que mal leu, não faz questão de estar sempre a dizer que é socióloga e que fala de um "ponto de vista sociológico", não transforma o seu blogue num cocktail de clones retirados de outros blogues, não é paroquial, não está à esquina na fofoca, não se vangloria em auto-amores, não sobe as escadas da mediocridade. Nem sempre estou de acordo com o que escreve, mas sou obrigado a respeitá-la. Uma verdadeira socióloga com quem gostaria um dia de trabalhar e de aprender. Uma socióloga, não uma ócióloga. Foi após mais uma leitura do seu blogue que me lembrei de um texto que escrevi em Novembro de 2006 e que me permito reproduzir em parte:

"Os sociólogos (os artífices da ciência do social) são pessoas que procuram estudar a regularidade do comportamento de outras pessoas tentando furtar-se à filosofia ("os homens não preexistem ao estudo das relações sociais") e ao nominalismo ("os homens não são um conceito apenas", um flatus voici, pura essência fonética). Os óciólogos (os artífices da ciência do ócio) são pessoas mais sofisticadas que procuram estudar a forma como os sociólogos e todos os comuns mortais estudam outras pessoas, recuperando a filosofia ("os homens podem não existir") e recasando-se decididamente com o nominalismo ("as rosas são o que nós queremos que elas sejam e eu sei ver isso")."


Carlos Serra, sociólogo, no seu blogue Diário de um sociólogo

20 janeiro 2008

Afinal, fomos comidos...

Porto 2 - 0 Aves
O Desportivo das Aves realizou uma boa exibição. Não merecia a derrota e consequente eliminação.

17 janeiro 2008

Boas Recordações...

(8º D - 1996/1997)



Mudam-se os tempos, Mudam-se os casamentos!


A constituição de família tem mudado em Portugal. Apesar de estar a aumentar a constituição do tipo de família alargada por questões económicas, este tipo de família juntamente com a família complexa são os tipos de família com menos significado no nosso país.
Os tipos de família (ou tipos de grupos domésticos como prefere chamar a socióloga Mª Engrácia Leandro) mais predominante no nosso país são a família nuclear-conjugal, a família monoparental e, cada vez mais, a família recomposta.
O divórcio e o tipo de família recomposta eram praticamente inconcebíveis há trinta ou quarenta anos. Hoje são situações comuns.
O casamento de portugueses com estrangeiros era quase inexistente. Hoje é-nos noticiado que tem aumentado o número de uniões entre portugueses com estrangeiros, e que a tendência para escolher um cônjuge estrangeiro é mais comum entre os homens, predominado os casamentos luso-brasileiros.

Mudaram-se os tempos...

Portugal, um país de burlas!

O presidente da Eurojust, José Luís Lopes da Mota, disse ontem no Parlamento que, naquele organismo europeu, "Portugal é conhecido como o país das burlas e fraudes fiscais, sobretudo relacionados com o IVA".

O procurador-geral adjunto falava aos deputados das Comissões de Assuntos Europeus e de Assuntos Constitucionais sobre a Eurojust, um órgão europeu de cooperação judiciária em matéria penal, no domínio da perseguição da criminalidade grave e organizada de natureza transnacional.

Quanto à tipologia de crimes tratados pelo organismo, as burlas e fraudes fiscais lideram a lista portuguesa, seguindo-se o tráfico de droga e o branqueamento de capitais. No conjunto dos 27 países da União Europeia, o maior número de crimes tratados por esta unidade europeia de cooperação judiciária relaciona-se com o tráfico de droga, burlas, fraudes e branqueamento de capitais.

[Jornal de Notícias]

14 janeiro 2008

Divórcios com base em falsos abusos sexuais

O Editorial de hoje do Diário de Notícias apresenta um artigo que merece atenção. Aqui o deixo:

O crescente número de pais que estão a divorciar-se de forma litigiosa e que alegadamente culpam o marido/mulher de abusar sexualmente do filho de ambos para ganhar a custódia é um fenómeno que está a proliferar em Portugal. Segundo os dados mais recentes, 50 por cento dos casais que recorrem aos tribunais para consumar a separação sem mútuo acordo já fazem uso deste género de acusação contra o parceiro.

É estranho que assim seja num país onde até há muito pouco tempo se escondiam do olhar público as violações frequentes de filhas, sobrinhas ou netas e as denúncias deste tipo de comportamento eram quase inexistentes.

O caso Casa Pia ajuda a explicar, talvez, a banalização deste recurso, mas não explica tudo. Usar este tipo de argumentos mentirosos é um mau exemplo para os filhos por quem se luta. No limite, é usá-los com desonestidade para conseguir um fim que, mesmo em situações difíceis, não deveria justificar qualquer meio.

A propagação deste tipo de acusações falsas é um sinal de que os que as fazem sabem da força que elas têm junto da Justiça. É preciso, por isso, que os juízes redobrem os cuidados na avaliação de casos como estes. E, mais fundamental ainda, que os advogados não estejam disponíveis para invocar qualquer argumento para vencer uma causa, que para eles é apenas mais uma.

Vale a pena ler este artigo que acaba por complementar o aqui transcrito: Manipulação dos filhos contra os pais está a crescer.
É importante a leitura destes dois artigos para que estas situações começem a ser combatidas e que mostram a ineficácia e falta de formação de juízes e advogados no tratamento destes casos.

13 janeiro 2008

I Jornadas Eurico de Melo (II)


“O papel da JSD na política local” constituiu o mote das Jornadas Eurico de Melo, iniciadas hoje (ontem) em Vila das Aves, numa iniciativa levada a cabo pela JSD de Santo Tirso. Contudo, a grande figura da sessão acabou por ser o fundador e histórico do partido que até deu nome a esta iniciativa. Segundo deu conta Carlos Pacheco, presidente da JSD local, Eurico de Melo terá sugerido a atribuição do nome de Sá Carneiro as estas Jornadas mas a opção da juventude laranja foi no sentido de homenagear aquele fundador do PPD/PSD até porque, e como sublinhou Carlos Pacheco, “não é qualquer jota que tem uma figura como Eurico de Melo no seu concelho”.

E se Eurico de Melo não condicionou o debate, pelo menos fez com que o desenvolvimento económico e social do município tirsense acabasse por estar presente nesta primeira sessão das Jornadas agora iniciadas pela JSD. Eurico de Melo, que começou por se referiu à fundação do partido no início dos anos 60, depressa direccionou a sua atenção para o município não poupando o seu próprio partido, ao referir-se à divisão do concelho como uma “grande asneira”. “A separação da Trofa, de que todos os partidos são responsáveis, a começar pelo PSD, levou a que Santo Tirso ficasse com a sua actividade económica reduzida ao têxtil”. Sem revelar grandes esperanças para o sector, Eurico de Melo acima de tudo mostrou-se preocupado com a falta de estratégia no sentido do desenvolvimento económico do concelho. “Onde estão os projectos, os estudos, as acções para sustentar e desenvolver a economia do concelho de Santo Tirso?”, questionou o fundador do PPD/PSD que não deixo de atribuir culpas por esta situação “aos que escolhemos para liderar politicamente o concelho”.

No entender de Eurico de Melo, Santo Tirso tem condições para ter três fortes pólos de desenvolvimento, nomeadamente na sede do concelho, em Vila das Aves e S. Martinho do Campo mas para já não é isso o que se vê, ainda que, na sua opinião, “as Câmaras Municipais têm o dever de criar as bases para o progresso dos seus municípios”. Eurico de Melo foi mais longe ao referir-se ao espaço onde outrora a colossal empresa do Rio Vizela deu emprego a milhares de pessoas. “É preciso reanimar, reestruturar, fazer daquele espaço um foco de desenvolvimento industrial nesta terra”.

Em Vila das Aves, Eurico de Melo, que em tempos se mostrou contra a regionalização, conforme o admitiu neste debate, afirma-se actualmente como um “combatente activo” a seu favor. E para além disso, fala na necessidade de “uma nova constituição, muito mais presidencialista e menos parlamentar”.

Ou seja, Eurico de Melo, a quem todos prestaram homenagem acabou por ser a figura destas Jornadas, ou não precisasse o país de “figuras com a sua tarimba” referiu Pedro Pinto - presidente da Câmara de Paços de Ferreira e um dos oradores convidados desta sessão - e mais anda esta região. “No norte há muito tempo que não se fala em vencer”, referiu o autarca que, acrescentou, mesmo correndo-se o risco de se ser considerado bairrista, “no Norte podemos e devemos fazer o debate sobre o que queremos”, até porque, sublinhou Pedro Pinto “um Norte Frágil é um país frágil”.

Quanto ao tema das jornadas propriamente dito - “O papel da JSD na política local” – algumas ideias fortes: “a política de juventude não é uma política de recreio. É a política da educação, do emprego… é, no fundo, de tudo o que tem a ver com o futuro”, afirmou o presidente da Câmara Municipal de Paços de Ferreira. Já o presidente da Comissão Nacional da JSD, Pedro Rodrigues focou o aspecto da formação e a necessidade de a jota formar “verdadeiros valores políticos” pois só assim conseguirá ser alternativa credível, não deixando, contudo de apelar para que a “os jovens assumam a irreverência” que lhes é natural.

Rui Sousa, presidente da Junta de Freguesia de Bagunte (Vila do Conde) foi outro dos oradores convidados, detendo-se sobretudo na sua experiência enquanto autarca de uma freguesia de cor política diferente da da Câmara Municipal. E acima de tudo falou de dificuldades: dificuldade em lidar com um “dinossauro” do poder local, mas também dificuldade em mobilizar uma juventude que não tem um papel muito activo na sociedade.

Moderado por João Abreu, vereador do PSD na Assembleia Municipal de Santo Tirso, este primeiro debate realizado no âmbito das Jornadas Eurico de Melo teve lugar na sede da Junta de Freguesia de Vila das Aves.

É lamentável...(II)

11 janeiro 2008

"Conta-me como foi": o melhor de 2007


A Associação de Telespectadores (ATV) elegeu a série «Conta-me como Foi» da RTP1 como o melhor da televisão portuguesa em 2007

A associação considera a produção do canal público, que retrata a vida de uma família portuguesa nos anos 60, uma «série interessantíssima» onde «tudo é rigoroso como num documentário: o interior das casas, as roupas, as conversas, os anúncios televisivos».
«Nenhuma outra série televisiva conseguiu transmitir tão fielmente o que foram os anos do final do salazarismo, não exactamente no aspecto político, mas social do quotidiano das pessoas», destaca a ATV
.


A revelação do ano para a ATV foram os documentários «Portugal - Um Retrato Social» e «A Guerra», ambos da responsabilidade da RTP1.

[Diário Digital]

Santo Tirso vive uma "calamidade social"

O deputado do PSD Agostinho Branquinho responsabilizou hoje (2ª feira) o PS pelo que classificou como "calamidade social" no concelho de Santo Tirso, com 15 por cento de desemprego."

Estamos numa situação de calamidade social. É a taxa de desemprego mais elevada no distrito do Porto", disse Agostinho Branquinho, no final de uma visita ao concelho de Santo Tirso dos deputados do PSD eleitos pelo círculo do Porto.

O deputado responsabilizou o Governo do PS e o executivo camarário de Santo Tirso, também de maioria socialista, pela situação em que se encontra o concelho, classificado em "terceiro lugar a contar do fim" no Indicador de Desenvolvimento Municipal (IDM), publicado em 2006 pelo Guia de Portugal."

Em 308 concelhos, Santo Tirso ocupa o lugar 306. Isto deve-se a uma gestão autárquica que está de mangas caídas", afirmou Branquinho, salientando que o IDM "foi feito por uma entidade independente", a Municípia.

Agostinho Branquinho acusou o Governo de falar apenas em "projectos megalómanos, como o novo aeroporto e o TGV", quando o problema da economia portuguesa é a falta de estímulos às Pequenas e Médias Empresas (PME) e de políticas activas de emprego."

O problema do país, infelizmente, não é esse [projectos megalómanos]. É o das PME", disse, responsabilizando o Governo pela "situação de depressão económica" que, em sua opinião, o país está a viver.

O deputado acusou também o Governo de não ter cumprido a promessa de reforço dos centros de saúde do concelho de Santo Tirso, depois de ter encerrado a maternidade e as "urgências" nocturnas no hospital local.

Agostinho Branquinho referiu que o PSD vai apresentar na Assembleia da República requerimentos ao Governo para a construção em Santo Tirso de três extensões de saúde e de duas variantes de acesso à sede do concelho.

LUSA [Via Fórum do PSD de Santo Tirso]

10 janeiro 2008

José Sócrates decidiu (II)

Construção do novo Aeroporto Internacional de Lisboa será em Alcochete.

Gato Fedorento na Sic


Os 4 humoristas regressam à casa de onde saíram para fazer o "Diz que é uma espécie de magazine" na RTP1. A partir de Setembro estarão na Sic.

09 janeiro 2008

José Sócrates decidiu

Ratificação do Tratado Europeu por via parlamentar.

07 janeiro 2008

I Jornadas Eurico de Melo

As Jornadas Eurico de Melo são iniciativa da Comissão Política de Secção da JSD de Santo Tirso, que na sua primeira edição são subordinadas ao tema "O Papel da JSD na Política Local". Estas Jornadas têm como objectivo primordial uma discussão sobre os mais variados temas e incentivar a juventude para o interesse na política local. Ao mesmo tempo estas Jornadas visam a homenagem ao emblemático tirsense Eng. Eurico de Melo que foi uma grande figura nacional do PPD/PSD.

Data: 12 de Janeiro de 2008
Hora: 15 horas
Local: Salão Nobre da Junta de Freguesia de Vila das Aves


Participantes:

- Eurico de Melo: ex-governante e fundador do PPD/PSD
- Pedro Rodrigues: Presidente da CPN da JSD
- Carlos Pacheco: Presidente da CPS da JSD de Santo Tirso

- João Abreu (moderador): Vereador do PSD na Assembleia Municipal de Santo Tirso
- Pedro Pinto (orador): Presidente da Câmara Municipal de Paços Ferreira
- Rui Sousa (orador): Presidente da Junta de Freguesia de Bagunte - Vila do Conde

Apesar das Jornadas serem, sobretudo, direccionadas para os jovens, estão todos convidados a participar!

Nota: Os interessados em comparecer que não saibam como chegar à Junta de Freguesia de Vila das Aves podem contactar-me para o e-mail: sociologavense@gmail.com
Tentarei explicar como cá chegar.

06 janeiro 2008

O Tempo das Imagens

Ontem li esta frase de Pacheco Pereira no sítio do jornal O Público:

"Muito do que ficará serão imagens, porque este tempo é um tempo de imagens."

Embora eu não saiba o contexto do assunto em que a frase está inserida, a frase por si só leva-me a concordar com este senhor.
Se antes a comunicação era feita através da palavra e presentemente, agora o objecto é a imagem e a transmissão de imagens.
No que concerne à política associada à imagem, surgem dois efeitos:
- Realça-se o carácter teatral do poder, tudo é encenação na vida política. Os agentes têm cada vez mais espaço e menos bastidores. Com esta capacidade de captação de imagem os políticos são-no em "full-time", estão sempre em cena, não há tanto bastidores. Mesmo a vida privada dos políticos, e outras figuras públicas, é controlada e vigiada.
- A política acaba por tornar-se numa avalanche de imagens. Tudo é visto e mostrado. Em nome da transparência há cada vez mais exigência que assim seja e a imagem toma o lugar da palavra. Na vida política, a argumentação e a reflexão tendem a ser substituídas por efeitos especiais e a vida política torna-se uma sucessão de imagens.

O que faz a vida política é menos marcado pela agenda do parlamento e mais marcado pela agenda que os meios de comunicação social definem. Tal acaba por originar uma banalização do processo democrático levando ao desinteresse perante certos factos. Esta avalanche de imagens permanente, esta inflacção de imagens e notícias acaba por ser contraproducente para a democracia por conduz à saturação e à indiferença.
Temos hoje, em lugar do cidadão, o telespectador. O telespectador cansado por saber que é dada voz sempre às mesmas pessoas, cansado por perceber a relação entre o poder e os meios de comunicação.

Antigamente, a realidade era aquilo que se passava na nossa aldeia. Hoje chega-nos a realidade de todo o mundo, há um eco da realidade. Chega-nos a tele-realidade dada pelos meios de comunicação.
Aquilo que os meios de comunicação difundem é que é considerada a realidade. Porque quando vemos uma imagem temos dificuldade em rebatê-la, considerá-la falsa, porque estamos a ver essa imagem à nossa frente. As imagens fazem a nossa realidade, é difícil impormo-nos a uma imagem porque ela tem um grande poder de persuasão.

O antropólogo e sociólogo, G. Balandier diz-nos:
O mundo reduz-se cada vez mais ao seu próprio espectáculo que a teletemática começa a transmitir. O poder dispõe de meios permanentes e de uma força já mais atingida anteriormente de elaborar a sua própria formação. O Homem deste fim de século (século XX) tem menos acesso a uma realidade do que a uma tele-realidade.

2007...

2007 foi o ano da Europa, das cimeiras, dos tratados e do espectáculo inconsequente. Em 2008, o espectáculo prossegue do outro lado do mar. A diferença é que este conta.

Alberto Gonçalves, sociólogo, no Diário de Notícias

Olfacto e Depressão

Cérebro Tirsense


"Muito sistematizada", Eliana Souto poderia ter sido física. Ou matemática. Escolheu Farmácia. Em nome da ciência - e de uma pesquisa pouco conhecida em Portugal - rumou à Alemanha. Cinco anos bastaram para diluir as fronteiras de Santo Tirso, terra natal, onde regressa após cada dia de trabalho na Universidade Fernando Pessoa, no Porto, com o Mundo.

Colabora com investigações em Banguequoque (Tailândia), Copenhaga (Dinamarca) e Turim (Itália). Além de Berlim, onde iniciou um trabalho sobre o aumento da eficácia de medicamentos para tratamento de doenças da pele que lhe rendeu, o mês passado, os 20 mil euros do Prémio Mulheres na Ciência, da UNESCO. E, se dúvidas houvesse, um currículo de 11 páginas, onde a data de nascimento aponta para 31 anos de vida, atestaria a capacidade de trabalho da cientista.

A nanotecnologia, que "foi surgindo por força das circunstâncias", fruto da especialização que as ciências sempre exigem, levou--a ao local da Europa onde a investigação já é consistente. Orientada pelo alemão Rainer Müller, fez o doutoramento em Nanotecnologia, Biofarmácia e Biotecnologia Farmacêutica - Eliana é a primeira doutorada portuguesa na especialidade -, donde resultou a pesquisa sobre nanopartículas de lípidos sólidos, um trabalho (ler caixa) ainda com dois anos no horizonte e um objectivo firme "desenvolver um sistema até uma fase pré-industrial". Em Outubro de 2006, foi lançado o primeiro cosmético elaborado com aquela tecnologia. A investigadora sorri de puro orgulho: o creme anti-envelhecimento está à venda como "consequência do [seu] trabalho com Müller". "O mais difícil é avançar para o mercado farmacêutico".

Duas equipas em Portugal
Eliana contabiliza apenas duas equipas a trabalhar no projecto em Portugal, com as quais colabora. Uma no Norte, fruto da parceria entre as universidades Fernando Pessoa e do Porto; e outra em Lisboa.

Houve propostas para fazer carreira na Alemanha, onde trabalhou quatro anos. Contudo, o desafio nacional foi mais forte. A família também "pesou", mas não foi decisiva no regresso planeado com o objectivo de fazer carreira académica em solo português. "Acho que, agora, o meu papel é qualificar o corpo docente e os recursos humanos em Portugal". Entretanto, "adia-se" um projecto de família e maternidade. "Depois de acabar o curso, a altura de se lançar como investigadora coincide com a melhor época para se ser mãe".

Jornal de Notícias

05 janeiro 2008

Prisões com espaço para Fumadores


Uma medida talvez um pouco polémica. Haverá quem concorde, todavia muita gente discordará. Muitos protestos e queixas têm surgido relativamente à Lei do Tabaco.
Sou a favor da Lei do Tabaco que proíbe de fumar em espaços públicos fechados. Também aqui defendi a ideia da proibição de fumo em alguns locais abertos. No que aos estabelecimentos prisionais diz respeito, devo admitir que concordo com esta medida. Acredito que grande parte dos reclusos tenha o hábito de fumar, tirar-lhes por completo este vício seria demasiado radical e, atrever-me-ia a dizer, prejudicial. Prejudicial porque haveria revolta e, possivelmente, violência por parte destes indivíduos para fazerem valer a sua vontade. E depois falo pelos reclusos que poderiam ter sido consumidores de estupefacientes. A estes não se pode tirar-lhe de um momento para o outro o tabaco, é contraproducente. O seu organismo, habituado às drogas pesadas, não pode repentinamente levar um corte da substância tóxica. Acabar com a dependência é difícil. Além disso, há toda uma vertente psicológica de dependência da substância. Medidas como a proibição de fumar «em todos os locais comuns» como refeitório, cozinha, escola, serviços clínicos, ginásios, biblioteca, entre outros parece-me satisfatória. E porque não os técnicos dos Estabelecimentos Prisionais, através de sessões de esclarecimento, incutirem nos reclusos um incentivo à redução do tabaco?

O problema de se ser uma minoria...

Ontem comemorou-se o Dia Mundial do Braille. E o que continuamos a assistir em Portugal?

Escolas sem professores com formação em braille.

Assim sendo, o Jornal de Notícias de hoje revela-nos:

A Associação de Cegos e Amblíopes (ACAPO) lamenta que, 78 anos depois da oficialização do braille em Portugal, os alunos com deficiência visual tenham iniciado o ano lectivo sem professores com formação nesta área.
Segundo a ACAPO, é imprescindível o conhecimento do braille por parte dos professores de Educação Especial, para que estes profissionais possam desempenhar adequadamente a sua função junto dos alunos e estes, por sua vez, tenham um bom percurso escolar e de forma igualitária com os restantes colegas.
A associação, lembrando o Dia Mundial do Braille, que ontem se comemorou, chama a atenção para a "autonomia e independência" que este código de escrita e leitura proporciona às pessoas com deficiência visual, pelo que "é fundamental aprendê-lo e, por conseguinte, haver quem o ensine". Acrescenta a ACAPO que, apesar da importância desta ferramenta para a autonomia, mais uma vez, neste ano lectivo, os alunos de vários níveis de ensino terem professores de apoio sem formação em Braille. A mesma organização refere que tem tentado junto do Ministério da Educação resolver o problema, propondo ser ela própria a ministrar tal formação. No entanto, alega não ter recebido qualquer resposta.

A Escola é pensada para as maiorias. As minorias (sejam elas os invisuais, as minorias étnicas, os deficientes, entre outros) são discriminadas. O aluno que é diferente é posto de lado ou tratado como os outros. A Escola não leva em conta as suas especificidades, as suas carências e dificuldades.
Depois vem o insucesso escolar. Porque será?


Muitos professores dizem não estarem preparados para responder à diferença. Ainda que seja um dos seus deveres profissionais, podem ter direito de continuar a não cumprir tal dever. Dizem não possuir formação para diversificar aprendizagens, mas nada fazem para repensar a organização da sua escola, de modo a dar resposta à diversidade. Não estão preparados, mas não buscam preparar-se. Não têm formação, nem a providenciam. É mais fácil o faz-de-conta dos "planos de recuperação". É mais fácil excluir do que humanizar a escola. O problema da escola fica resolvido. Ficará resolvido o problema dos alunos? Ficará resolvido o dos professores?
Professor José Pacheco, 2006

Uma escolha acertada

Ana Drago será a próxima líder parlamentar do BE.

Distinção merecida! Gosto bastante de Ana Drago, uma jovem inteligente e perspicaz. Os seus discursos políticos são, a meu ver, persuasivos. Para mim, é das melhores pessoas do BE. Gosto de a ouvir falar em Assembleia de República, ao contrário de Francisco Louçã que é uma pessoa que desprezo politicamente.

04 janeiro 2008

Rali Lisboa-Dakar 2008: Cancelado

Depois do sucesso desta prova em 2007, que também começou em Lisboa, a organização cancela hoje o evento depois do Governo francês ter feito sérios avisos sobre a deslocação dos seus concidadãos à Mauritânia.
É a primeira vez em trinta anos de prova que tal acontece...

Haverá Lisboa-Dakar para 2009?

03 janeiro 2008

Programa "Novas Oportunidades"

Assim, aparentemente, aquilo a que estamos a assistir é à criação de uma sociedade fortemente dual, constituída por uma minoria de pessoas bens formadas e dotadas de razoáveis recursos económicos, que auferem das maravilhas tecnológicas, sociais e culturais que o Estado (em sentido amplo) tem vindo a produzir, e uma imensa maioria de pessoas mal instrumentadas e com recursos económicos escassos, para quem aquilo que se passa nas universidades e nos centros culturais e tecnológicos lhes escapa completamente, sendo que quanto mais desenvolvida é a cultura e a tecnologia e mais escasso o emprego mais a dualidade social se acentua.

À escola compete, idealmente, a tarefa de rompimento deste ciclo de reprodução social. No entanto, e como se vê, o que a escola tem vindo a fazer tem sido exactamente o contrário, isto é, a optimização deste dualismo social, que leva a que os alunos mais pobres e menos instrumentados educacional e culturalmente se vejam quase sempre na cauda da progressão social.

Neste contexto, é impossível não assinalar a enorme relevância do programa Novas Oportunidades, que pretende reconhecer e validar as competências técnicas e sociais de um milhão de cidadãos até 2010, envolvendo enormes recursos financeiros, através de estratégias pedagógicas activas e dinâmicas, no sentido em que buscam o envolvimento emocional, cívico e pessoal dos formandos, visando colmatar as suas falhas formativas. Na verdade, o défice formativo de Portugal é tão grande relativamente aos seus parceiros europeus que sem uma estratégia formativa profundamente voluntarista e proactiva seria impossível, num prazo razoável, colmatar esse défice.

Francisco Teixeira (aconselho a leitura integral do seu texto aqui.)


Na minha opinião louvo a iniciativa do actual Governo no que ao Programa das "Novas Oportunidades" diz respeito. É uma forma de os nossos cidadãos menos escolarizados prosseguirem os seus estudos e, ao mesmo tempo, emanciparem-se a vários níveis: pessoal, cívica, social, económica, culturalmente.
Não se pode, todavia, correr o risco deste programa caír no erro da desigualdade de oportunidades e legitimar o que vem sucedendo na educação em Portugal: os alunos mais pobres e menos instrumentados educacional e culturalmente se vejam quase sempre na cauda da progressão social.

E assim vai o sistema de saúde neste país (II)

- Encerram-se Maternidades... E pedem o aumento da natalidade.

- Encerram-se Urgências... Criam-se uma espécie de Urgências Básicas.

- Os contraceptivos, nomeadamente a pílula feminina, deixam de ser comparticipados e ficam com preços exagerados.... Legaliza-se a interrupação voluntária da gravidez tornando o aborto gratuito.

- Aumentam os preços dos cuidados de saúde primários... Cada vez mais os cuidados de saúde e sua promoção estão ao alcance de classes sociais abastadas, ficando os pobres à mercê da sua miséria.

- Aumentam os hospitais privados, deixam-se ao esquecimento os hospitais públicos... Mais uma vez assistimos à legitimação dos cuidados de saúde só para alguns, os serviços de saúde ao alcance dos ricos.


Onde vamos parar?

02 janeiro 2008

Vila das Aves é um Mundo!

Porque razão quando se pergunta às pessoas de onde elas são, a maioria responde com o nome da cidade-concelho e não da freguesia na qual moram?

Porque razão quando se pergunta a um avense de onde ele é, ele diz que é de Vila das Aves e não diz que é de Santo Tirso?

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