10 dezembro 2009

A questão climatérica e a Cimeira de Copenhaga

Não diria mais do que a Maria José Nogueira Pinto:


À semelhança do que acontece com outros problemas deste mundo global a questão climática só se poderá resolver através da construção de uma consciência planetária. Uma consciência que assuma o simples facto de a espécie humana não ter outro território próprio que não seja este planeta, interiorize o dever de o preservar para as gerações futuras e se disponha a rever padrões de produção e consumo que se tornaram insustentáveis. Parece-me que o primeiro passo deve ser no sentido de uma nova forma de ver as coisas - e é aqui que a Cimeira de Copenhaga pode ser determinante - que ultrapasse a simples dicotomia dos países ricos e pobres, de-senvolvidos ou em vias de desenvolvimento, poderosos ou não poderosos, predadores ou vítimas. Ora se o ponto central das negociações for, de facto, a construção de uma visão comum que estabeleça como deverá ser o mundo que queremos no futuro, então talvez se possa dar um salto qualitativo em termos de decisões e regras comuns que possam ir além dos meros acordos pontuais e das afirmações retóricas que habitualmente preenchem este tipo de encontros.

Urge a construção de uma consciência colectiva que tenha em vista a preservação do ambiente sempre com a mente num desenvolvimento sustentável essencial.

Violência na Escola

O caso da jovem de 14 anos do Montijo, que nos últimos dias se tem falado, vítima de bullying é um dos muitos casos de violência na Escola.
Longe vão os tempos de Escola dos nossos pais e avós em que eles próprios eram vítimas de uma certa (não diria violência) severa autoridade por parte dos professores. Na sociedade actual, temos vindo a assistir ao inverso. Nunca é demais recordar a entrevista que dei ao blogue Ágora em Abril do ano passado, pouco tempo depois do caso Carolina Michaelis, acerca da educação e do meio Escolar em Portugal. (
http://a-agora.blogspot.com/2008/04/acerca-da-educao.html)

Contudo, a violência aluno-aluno, denominada de bullying, não sendo tema central nesta entrevista apresenta-se agora como pertinente para falarmos do caso da menina do Montijo. O bullying acontece em meio escolar sobretudo quando temos em contacto grupos étnicos diferentes, quando alguém quer fazer valer uma certa superioridade rácica, ou seja, contra as minorias raciais e étnicas. Não raro assistirmos a estas situações de bullyng nomeadamente em escolas onde encontramos alunos de bairros sociais oriundos de famílias com laços desestruturados. De salientar ainda que estes casos são mais propícios em meio urbano. Todavia, não podemos generalizar e não são somente por estes motivos que acontecem casos de bullyng nas escolas, podendo também acontecer sobre indivíduos com personalidade frágil cujos colegas se aproveitam dessa fragilidade para gozar com esses indivíduos.
O bullyng é um tema que merece discussão atenta, talvez um dia volte a ele mais pormenorizadamente.

No que concerne ao caso da aluna do Montijo não sei muito bem em que pressupostos terá assentado tal violência exercida sobre ela. Mas vejamos que essa violência não foi somente física mas também psicológica. Pelo pouco que vi da notícia apercebi-me da mãe da jovem revelar da exposição que fizeram da filha na rede social "hi5".
Aí está um dos vários motivos pelos quais não sou adepta das redes sociais virtuais, não só pela perda do contacto social presencial mas também por esta exposição que o indivíduo faz da sua vida pessoal ou, neste caso em concreto, alguém faz uso dos dados pessoais de outrém e os expõe na internet.
Nessa mesma entrevista que dei sobre Educação eu avançava "A indisciplina na escola é de todos os tempos e, infelizmente, acontece com relativa frequência. Os estudos realizados não nos mostram variações na prevalência de casos de indisciplina ou mesmo violência escolar. As diferenças encontram-se na forma como as situações se manifestam e, actualmente, aparecem associadas às novas tecnologias o fenómeno de violência em contexto escolar. Através dos telemóveis, da Internet deparamo-nos com constantes insultos e ameaças de violência. O que está no centro da vida dos jovens são as telecomunicações e a Internet: há interacção, oferece-lhes recursos."