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19 junho 2008

A Linguagem Sociológica - (II)

Há uns meses eu escrevia aqui o seguinte:
A Sociologia e os Sociólogos orgulham-se de ter uma linguagem muito própria e que encanta muita gente.
Todavia, o devido uso da linguagem sociológica e a sua devida interpretação não está ao alcance de todos. Aliás, creio que só um número resoluto de pessoas é capaz de dela fazer um uso correcto e uma interpretação credível. Penso que nem todos os formados em Sociologia o são capaz de fazer, quanto mais os outros.
À conta disto já me tenho rido na blogosfera com o uso inapropriado de terminologia sociológica, ou seja, referem termos sociólogicos a algo que não se aplica. O que também tem sucedido é uma má interpretação de alguns assuntos que vou escrevendo onde predominam vários termos sociológicos, isto é, termos os quais não são correctamente interpretados pelos leitores.
De facto, a interpretação da terminologia sociológica não está ao alcance de qualquer um e mais vale não sair por aí a fazer falsas interpretações para não caírem no ridículo.

Ora isto continua.
A conclusão a que tenho chegado é que parece que usar a palavra "sociológico" ou "sociológica" é chique ou é algo de muito intelectual.
Em Fevereiro deste ano, numa Assembleia Distrital do PSD/Porto, quando uma delegada pediu a palavra, ela falava constantemente de capital humano e capital sociológio. E ela insistia na ideia de que uma pessoa tem capital sociológico. Isto enervou-me um bocado. Quanto muito, pode falar-se em capital social.

21 janeiro 2008

Socióloga Avense na blogosfera

Li hoje com imenso prazer, uma vez mais, o blogue da excelente socióloga que é a portuguesa Helena Antunes. Vou lá com frequência. Estilo directo, escorreito, olhar que vai a todas, sensibilidade atenta à variedade da vida, alternância da análise com a citação, da alegria com a tristeza, da frieza com o espanto, uma escrita ática, bisturi elegante que não esquece seja o partido a que pertence seja o clube de futebol que ama. Uma máquina fotográfica excelente num layout sóbrio e belo. A Helena não está horas a discutir o sexo dos anjos, não exibe livros e autores que mal leu, não faz questão de estar sempre a dizer que é socióloga e que fala de um "ponto de vista sociológico", não transforma o seu blogue num cocktail de clones retirados de outros blogues, não é paroquial, não está à esquina na fofoca, não se vangloria em auto-amores, não sobe as escadas da mediocridade. Nem sempre estou de acordo com o que escreve, mas sou obrigado a respeitá-la. Uma verdadeira socióloga com quem gostaria um dia de trabalhar e de aprender. Uma socióloga, não uma ócióloga. Foi após mais uma leitura do seu blogue que me lembrei de um texto que escrevi em Novembro de 2006 e que me permito reproduzir em parte:

"Os sociólogos (os artífices da ciência do social) são pessoas que procuram estudar a regularidade do comportamento de outras pessoas tentando furtar-se à filosofia ("os homens não preexistem ao estudo das relações sociais") e ao nominalismo ("os homens não são um conceito apenas", um flatus voici, pura essência fonética). Os óciólogos (os artífices da ciência do ócio) são pessoas mais sofisticadas que procuram estudar a forma como os sociólogos e todos os comuns mortais estudam outras pessoas, recuperando a filosofia ("os homens podem não existir") e recasando-se decididamente com o nominalismo ("as rosas são o que nós queremos que elas sejam e eu sei ver isso")."


Carlos Serra, sociólogo, no seu blogue Diário de um sociólogo

22 dezembro 2007

"Portugal, Um Retrato Social" (II)

Chegou esta semana ao fim a colecção de Livros e DVD's da série Portugal, Um Retrato Social de autoria do sociólogo António Barreto e realização de Joana Pontes.
Esta fantástica série que faz um retrato da evolução da sociedade portuguesa esteve disponível por 9.95€ às 2ª feiras com o jornal O Público.

Este é um retrato do nosso país. Um retrato da sociedade contemporânea. É um retrato de grupo: dos portugueses e estrangeiros que vivem connosco. É um retrato de Portugal e dos Portugueses de hoje, que melhor se compreendem se olharmos para o passado, para os últimos trinta ou quarenta anos.

Os Livros e DVD's da colecção estão também disponíveis nas lojas FNAC. Porque não oferecer esta mais-valia aos seus amigos e familiares de prenda de Natal? Eu já ofereci a mim própria!!!

12 dezembro 2007

Maddie, um problema sociológico???

Hoje fui a Braga fazer mais uma visitinha para matar saudades da cidade que me acolheu durante quase cinco anos.
Como seria de esperar fui conhecer a tão falada Fnac de Braga. Para quem ainda não foi aviso que não é assim tão fenomenal como fazem crer. É como as outras, ponto.
Bem, mas isto para dizer que me deparei com algo que deixou estupefacta a mim e a uma minha amiga também socióloga. Como é nosso vício lá nos deslocamos directas à secção de Sociologia quando nos deparamos com o seguinte livro em grande destaque:

E nós interrogamo-nos, perplexas, o que estaria este livro a fazer a li. Não tem o mínimo de nexo. Quem terá feito aquela atribuição? É certo que não conhecemos o conteúdo do livro. Todavia, o caso Maddie não pode ainda ser considerado um problema social, muito menos será um problema sociológico. Não nos parece que o possamos ligar à Sociologia. Talvez nós estejamos enganadas.....

04 dezembro 2007

A Linguagem Sociológica

A Sociologia e os Sociólogos orgulham-se de ter uma linguagem muito própria e que encanta muita gente.
Todavia, o devido uso da linguagem sociológica e a sua devida interpretação não está ao alcance de todos. Aliás, creio que só um número resoluto de pessoas é capaz de dela fazer um uso correcto e uma interpretação credível. Penso que nem todos os formados em Sociologia o são capaz de fazer, quanto mais os outros.
À conta disto já me tenho rido na blogosfera com o uso inapropriado de terminologia sociológica, ou seja, referem termos sociólogicos a algo que não se aplica. O que também tem sucedido é uma má interpretação de alguns assuntos que vou escrevendo onde predominam vários termos sociológicos, isto é, termos os quais não são correctamente interpretados pelos leitores.
De facto, a interpretação da terminologia sociológica não está ao alcance de qualquer um e mais vale não sair por aí a fazer falsas interpretações para não caírem no ridículo.

Viva a Sociologia!

03 dezembro 2007

VI Congresso Português de Sociologia

VI CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA
Mundos Sociais: saberes e práticas


25 a 28 de Junho de 2008
Universidade Nova de Lisboa - Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
Av. de Berna, 26 C


As pré-inscrições decorrerão entre 4 e 31 de Dezembro de 2007.
Veja todas as informações no sítio da Associação Portuguesa de Sociologia.

25 novembro 2007

Sociólogo de esquerda vs. Sociólogo de direita

Os sociólogos de esquerda, com os quais perfilho a identidade, cumprem uma missão histórica, potencialmente subversiva. Aliás, é aí onde, no meu entender, reside a verdadeira sociologia: a subversão dos sentidos superficiais atribuídos à vida quotidiana. (...)
Ser sociólogo de esquerda é ser sociólogo por vocação.
Por outro lado, existem os sociólogos de direita, que são os ideólogos do sistema, os que se preocupam com o status quo. São os lambe-botas do sistema. Sobre eles não preciso mais dissertar. São claros os prejuízos que trazem à imaginação sociológica e à dúvida radical.
Uma terceira categoria é a dos sociólogos mercenários. Esses são autênticos garimpeiros da sobrevivência.


Os sociólogos de esquerda encontram-se geralmente mais expostos até porque intervêm nas lutas sociais ao lado daqueles que dispõem de menos recursos materiais e simbólicos. Dependendo da maturidade do regime democrático nem sempre o sociólogo que assume esta identidade é bem vindo.
Relativamente ao sociólogo de direita o cenário parece-me oposto.

Joaquim Fumo em entrevista a Carlos Serra

30 setembro 2007

Associação Nacional de Estudantes de Sociologia

A ANES - Associação Nacional de Estudantes de Sociologia- foi criada o ano passado em Lisboa e contou com três núcleos que constituiram a comissão instaladora: Núcleo de Estudantes do Curso de Sociologia da Universidade do Minho (NECSUM), o Núcleo de Estudantes de Sociologia do Planeamento do ISCTE (NESP) e Estudantes de Sociologia da Associação de Estudantes da Universidade do Algarve.
Desde 2003 que estes três núcleos intensificaram os esforços para formar uma associação representativa de todos os estudantes. O ano passado, em Março, este sonho tornou-se realidade quando em Lisboa se assinou finalmente a constituição oficial da ANES e quando ocorreu no ISCTE a assembleia de eleição dos orgãos sociais constituintes da ANES e ocorreu a primeira assembleia da ANES. Todos os núcleos/universidades de Sociologia foram solicitados a estarem presentes. Também eu me desloquei a Lisboa nesse fim-de-semana enquanto membro representante do NECSUM e assisti a todo o nascimento. Seria bom que este projecto voltasse a ser pegado e tivesse a continuação dos agora estudantes da ANES que tanto nos orgulhou!
Contudo, é com enorme tristeza que aqui falo do não prosseguimento da ANES dada a incompatibilidade de tempo, funções e falta de vontade de alguns membros. Assim, a ANES resumiu-se à sua constituição e primeira assembleia em Março e a um Colóquio/Conferência em Outubro também do ano passado. Este ano em Março era previsto haver nova Assembleia para eleger os novos membros da ANES e a organização de actividades que juntassem alunos de Sociologia de todas as universidades do país. Todavia, tal não sucedeu e a ANES ficou por aqui.

Aqui deixo um pequeno resumo do historial da ANES e aqueles que foram os primeiros membros dos orgãos sociais da ANES.

Historial:
- A ANES foi fundada a 10 de Março de 2006
- A ANES tem a sua sede nas instalações da APS (Associação Portuguesa de Sociologia): Av. Professor Aníbal Bettencourt, nº 9, piso2, sala E2-3.4.01, 1600-189 Lisboa
- A ANES é reconhecida pelo Ministério da Ciência e Ensino Superior como associação de estudantes de Sociologia a nível nacional



Orgãos sociais da ANES:

Direcção:
Presidente: Bárbara Cunha (Univ. Minho)
Vice-Presidente: Carina Cabral (ISCTE)
Tesoureiro: Heidi Martins (Univ. Minho)
Secretário: Marina Trigueirão (ISCTE)

1º Vogal: Filipe Herculano (Univ. Algarve)
2º Vogal: Diana Ferreirinha (Univ. Técnica Lisboa)
3º Vogal: Diogo Ribeiro (Univ. Nova Lisboa)

Mesa da Assembleia:
Presidente: Daniel Cerveira (Univ. Nova Lisboa)
Vice-Presidente: Susana Oliveira (ISCTE)
Secretário: Helena Antunes (Univ. Minho)

Conselho Fiscal:
Presidente: Alfredo Campos (Univ. Coimbra)
Vice-Presidente: Rui Bernardino (Univ. Técnica)
Relator: Sandra Cunha (Univ. Minho)

Seria bom se alguém pegasse novamente neste projecto e seguisse enfrente com a ANES, dado que muitos de nós já terminamos a licenciatura.
Levar a ANES a uma alto patamar de representação dos estudantes de Sociologia.

29 maio 2007

Sociologia...

A Sociologia explica o que parece óbvio a pessoas que pensam que é simples, mas que não compreendem quão complicado é realmente.

Richard Osborne