Feito o balanço do ano terrível de 2008, é o momento de reflectirmos sobre o que aí vem - ou nos parece que vem, porque as previsões são falíveis - em 2009. 2008 foi terrível por efeito do colapso do neoliberalismo (de consequências tão sérias como o colapso do comunismo), que conduziu à grande crise global do capitalismo financeiro-especulativo e ao descrédito ético, político e económico do sistema em que temos vivido, no Ocidente, na última década ou talvez um pouco mais...
Mas foi também um ano de mudança, porque temos de procurar um novo paradigma, visto que, manifestamente, o que tínhamos não serve. Trouxe corrupção, numa escala nunca vista, falências, desconfiança, desemprego, desigualdades, mais pobreza, e quem sabe se trará ainda revoltas, fruto do descontentamento...
Na América, foi eleito um novo Presidente da República, que despertou uma luz de esperança. Mas que, quando se candidatou, parecia impossível vir a ser ganhador: Barack Obama. Por ser afro-americano, jovem, quase desconhecido, sem grande experiência. Mas foi eleito exactamente por isso. Por ser diferente, não pertencer ao establishment e querer convictamente a mudança, ou seja, uma ruptura com o passado.
[Mário Soares]Portugal também precisa de mudança, de mudança de paradigma. Mudança de rostos, mudança de políticas. Portugal enfrenta uma grave crise e que se acentuará no presente ano. Precisamos de uma mudança de paradigma... O que fazer para mudar o paradigma? Agora lembrei-me de Kuhn e a revolução proposta por ele no debate epistemológico. Com base nas teorias de Kuhn poder-se-á dizer que um paradigma que é aceite pela comunidade é aquele que é capaz de proceder a aplicações e à resolução de problemas previstos ou previsíveis no âmbito paradigmático. Tentamos remeter este discurso e consequentes efeitos para o âmbito da política: É isto que Kuhn chama a ciência normal (aqui falemos em política) e que os cientistas (políticos) fazem todo o possível por manter. Todavia, quando o paradigma adoptado não suporta mais o confronto entre anomalias (a crise e os seus efeitos negativos: falências, desconfiança, desemprego, desigualdades, mais pobreza, etc.) é que eles se predispõem a procurar outro paradigma.
Assim se abre um período de crise (pelo qual estamos nós a passar) que será resolvido por uma revolução científica (precisaremos nós, Portugal, de uma revolução política?), com a instauração de um novo paradigma e o regresso a uma situação de ciência normal (governação normal).
Conclusões: Portugal precisa de uma mudança de paradigma, Portugal precisa de uma nova governação, Portugal precisa de uma nova cara à frente dos seus destinos, Portugal precisa de mudança!