31 dezembro 2007

Balanço 2007...

Este blogue nasceu a 1 de Maio deste ano e posso afirmar que em oito meses conseguiu um sucesso que eu considero inesperado. Não é o melhor blogue de Portugal, não é o melhor blogue da região mas é um blogue que teve um impacto positivo e prestigiante na blogosfera.
Ultimamente tem sido bastante comentado e acredito que seja um blogue lido por muita gente. O sucesso deriva do que aqui vou escrevendo e trancrevendo, é certo. Mas a grande qualidade deste blogue deriva, sobretudo, de todas as pessoas que por aqui vão comentando. São os leitores e comentadores que dão a grandeza e riqueza deste blogue: aqui discutem-se ideias, pontos de vistas, aqui atacam-se ideias não se atacam os comentadores, a autora do blogue ou figuras públicas. Este blogue é pautado pela boa educação e civismo entre os comentadores sem que ninguém parta para o insulto e para o ataque. Aqui todos os comentadores são tratados por igual. Aqui não há lugar ao narcisismo, todos estamos unidos a lutar por melhor e todos temos um importante papel, seja a nível político, cultural, social,etc.


Um muito obrigada a todos os leitores e comentadores deste espaço, são o mais importante que este blogue tem! E desejo ter-vos cá em 2008 e que muitos mais se juntem!

Um Óptimo 2008!

30 dezembro 2007

Venha a Regionalização!

O Estado deve mais de 150 milhões de euros a 101 câmaras, dívida derivada essencialmente de pagamentos em atraso da Administração Interna, Cultura e Obras Públicas.
A maior fatia, 133,6 milhões de euros, reporta-se a obras ou programas de responsabilidade do Governo, executados por autarquias. Os restantes 16,5 milhões são de compromissos assumidos durante anos por vários governos, protocolados mas não executados, porque ministérios, secretarias de Estado, direcções-gerais ou institutos não pagaram aquilo a que se comprometeram. Este valor foi considerado dívida pois, em muitos casos, as autarquias fizeram despesa.

Fonte: Diário de Notícias

29 dezembro 2007

Pavilhão Desportivo da Escola Secundária

Hoje estive pela primeira vez no pavilhão desportivo da Escola Secundária D. Afonso Henriques, Vila das Aves.
No meu tempo de liceu, do 10º ao 12º ano, a Escola não possuía pavilhão, limitando as nossas aulas de Educação Física ao campo exterior de jogos e uma pequena sala de ginástica. Mesmo com muitas reivindicações, greves e protestos a escola foi permanecendo alguns anos sem pavilhão desportivo.

Hoje o pavilhão é uma realidade. É relativamente recente, mas hoje alunos da escola usufruem devidamente deste espaço para aulas de Educação Física. Mais, o pavilhão serve de suporte a muitas equipas de terras próximas para a realização de jogos em modalidades como o futsal. Hoje assisti a um jogo de futsal e deliciei-me com a construção do pavilhão: espaçoso, belo, magnífico!
A Escola Secundária D. Afonso Henriques merece esta excelente infra-estrutura! Vila das Aves merece mais um óptimo espaço de prática desportiva!

Interdição ao Fumo em Locais Abertos

O FC Porto está a estudar a possibilidade de proibir de fumar no Estádio do Dragão. Levará esta ideia avante? Mais clubes seguirão o exemplo?
Não posso deixar de louvar esta iniciativa do FC Porto. Eu concordo no pleno. Sei que os fumadores têm o direito de poder usufruir do seu vício, mas os não fumadores também têm o direito de poder respirar ar puro.


Para além da proibição de fumar em locais fechados também sou a favor da proibição em locais abertos como sejam os estádios de futebol. Vou assiduamente ao estádio ver o meu Desportivo das Aves e, não raro, levar com fumo do indivíduo que está em cima, em baixo, dos lados, intoxicando-me e dificultando-me a respiração. Como a mim, a muitas mais pessoas.

Espero que esta ideia tenha um fim concretizável.

27 dezembro 2007

A Participação nas Assembleias de Freguesia (II)

No passado dia 15 realizou-se mais uma Assembleia de Freguesia. Como é normal desde que presido à Junta de Freguesia, e já lá vão quase seis anos, que estas Assembleias mantêm uma participação activa de Avenses, quase sempre na casa das dezenas.
Penso tratar-se de caso raro nos tempos que correm e principalmente no nosso concelho. Até prova em contrário, digo mesmo que é das Assembleias de Freguesia mais concorridas desta região.
Ao contrário do que alguns (poucos) querem fazer crer, tem sido nestas Assembleias que os problemas da nossa Vila têm sido debatidos, muitas vezes de forma algo calorosa, é certo, mas também com resultados práticos evidentes e de interesse público geral.
(...)

Carlos Valente, Presidente da Junta de Freguesia de Vila das Aves, no Boletim Informativo

Salazar e Portugal...

“Salazar pôs isto na ordem e agora já não sabemos fazer a democracia outra vez. Estamos estrangulados. Mais: se não é a UE, há muitos anos que não vivíamos em democracia. (...) O país prosperou sempre mais com regimes de autoridade.”

Pedro Arroja, Visão (Tirado de O Público)

26 dezembro 2007

Hospital com Urgência em 2008?

O novo Serviço de Urgência do Hospital de Vila Nova de Famalicão deverá estar a funcionar no final do último trimestre do próximo ano. "Vamos lançar este mês o concurso para a construção da nova urgência médico-cirúrgica e é nossa intenção que, até final de 2008, o serviço fique pronto para poder estar a funcionar no final do último trimestre", adiantou ao JN o administrador do Centro Hospitalar do Vale do Ave, José Dias.

O espaço para a nova urgência do Hospital de Famalicão já existe, mas, segundo aquele responsável, são necessárias as respectivas obras e equipamentos. "O programa funcional que já existia sofreu algumas alterações porque se trata agora de uma urgência médico-cirúrgica que vai servir 250 mil habitantes e, o que estava programado não era isso" explicou José Dias.

O novo serviço vai contemplar uma urgência pediátrica, uma pequena unidade de radiologia e TAC, instalações para observações e uma unidade de cuidados intermédios.

Já quanto ao financiamento, o administrador aponta que a gestão do centro hospitalar determinou o capital social necessário para as intervenções e, neste momento, existe capacidade económica para construir a nova estrutura. Por outro lado, José Dias anotou que se vai tentar aproveitar, também, verbas do IV Quadro Comunitário de Apoio.

Aquele responsável referiu, ainda, que foram feitas algumas obras recentemente para melhorar a aparência e as condições do actual Serviço de Urgência.

Há já alguns anos que o novo Serviço do Hospital de Vila Nova de Famalicão tem sido sucessivamente adiado. As condições precárias em que funciona faz com que não exista urgência pediátrica separada da dos adultos.

No início deste ano, os hospitais de Vila Nova de Famalicão e de Santo Tirso uniram-se, formando o Centro Hospitalar do Vale do Ave. Para Famalicão ficou planeada uma urgência médico-cirúrgica enquanto que em Santo Tirso há uma urgência básica.
Jornal de Notícias

O que eu temia...

Uso de pequenas quantidades de drogas está "liberalizado" em seis distritos.

Daqui a pouco é pelo país todo...

A situação laboral em Portugal

A perspectiva de uma nova legislação laboral veio recordar- -nos que Portugal é um país de traumas, um país de discussões atrasadas, um país reaccionário, avesso às mudanças. Não é de esquerda, nem de direita, é a favor de quem for capaz de deixar as coisas estar como estão, enquanto isso for possível.

É espantoso que os patrões estejam sempre a pedir mais flexibilidade nas relações contratuais com os trabalhadores, mas depois não aproveitem as alterações na lei para organizar melhor as suas empresas. Não mudam horários, não planeiam as férias, não trabalham mais quando é preciso e menos quando há pouco para fazer. Tudo isto já é permitido por lei, mas os patrões preferem a socapa com que transformam trabalhadores efectivos em falsos recebidos verdes, aceitando empregados que pouco fazem mas têm vínculo às empresas. Para muitos patrões, um trabalhador legalizado, mesmo que competente, é um fardo e não a sua maior riqueza.

O contrário também é verdade. Na maioria dos casos, os empregados olham para o patrão como o inimigo e raramente como o empreendedor que lhes possibilita terem o trabalho com que ganham a vida. A saúde da empresa pouco lhes importa, o desperdício não os incomoda, são problemas do patrão.

Se houvesse capacidade de adaptação, haveria de certeza menos desemprego; mas isso é uma coisa que só parece preocupar quem não tem trabalho.

Não vale a pena alterar a lei se a mentalidade não mudar. É preciso acabar com a luta de classes, é preciso que patrões e empregados percebam que o êxito da empresa interessa a todos.

Paulo Baldaia, Chefe de Redacção do JN

Óptimo texto este! E percebemos que o mal da situação laboral em Portugal não se centra somente de um lado, mas concentra-se em três vértices: Estado; entidades empregadoras; trabalhadores.

Da sustentabilidade da Segurança Social...

...o melindre da questão da sustentabilidade do sistema de segurança social passa por uma opção de coesão geracional e de partilha de risco, que - no quadro da actual cultura de individualismo - é complicado implementar. Além disso, começa também a ser difícil entender a opção de não-abertura das possibilidades de escolha dos cidadãos contribuintes na sua adesão a sistemas de gestão particular de uma parte da sua reforma. Note-se que - por uma questão relevante de linguagem - me refiro a sistemas "particulares" e não a sistemas "privados". É que, neste domínio, existe um conjunto de opções para uma gestão eficaz da parte do salário que os trabalhadores afectam para a sua reforma: fundos geridos por sindicatos, ordens profissionais, cooperativas de profissionais, ou instituições financeiras credíveis e bem administradas são, portanto, opções em aberto.

Paulo Pereira de Almeida

Dado o medo de assistirmos a uma insustentabilidade da Segurança Social a médio prazo, dado que hoje não estamos a criar a nossa sustentabilidade futura mas sim a sustentabilidade da geração actual, cada vez mais as pessoas apostam em instituições privadas (ou particulares como prefere chamar Paulo Pereira de Almeida) para garantirem a sua pensão futura, como sejam os PPR (Plano de Poupança Reforma).
Público. Privado. Qual o mais seguro e que dá mais garantias?

24 dezembro 2007

23 dezembro 2007

Já há dedo de Henrique Nunes?

O Desportivo das Aves venceu hoje no seu reduto o Freamunde por 3-0. Embora ainda seja muito cedo para afirmarmos ser uma equipa preparada por Henrique Nunes, a verdade é que o Aves esteve bem, praticou bom futebol: assistimos a uma equipa mais ofensiva, pelo menos.
A primeira parte foi excelente e saímos a vencer por 1-0. Na segunda parte o Aves desleixou-se e foi sofrendo ataques sucessivos do Freamunde, que apesar disso não foi uma grande equipa. Mais para o fim do encontro voltamos a criar vários lances ofensivos e terminamos a partida com uma vitória de 3-0!

O Aves está melhor e 2008 promete! Força Aves!

Incentivo à Reinserção Familiar de Idosos

As respostas sociais para a terceira idade estão a passar cada vez menos por lares e mais pelo apoio domiciliário e pela integração em famílias de acolhimento. Neste momento existem em Portugal continental cerca de 900 idosos inseridos em quase 600 famílias de acolhimento, de acordo com dados fornecidos ao DN pelo Instituto da Segurança Social. Quase todos se encontram na zona norte.

Pela "prestação de serviços" ao Estado, as famílias que acolhem idosos recebem 412 euros mensais da Segurança Social, subsídio esse que pode chegar aos 614 euros quando está em causa o acolhimento de pessoas em situação de grande dependência.

Embora reconhecendo a falta de equipamentos sociais para a terceira idade, numa população em acelerado envelhecimento, o presidente do Instituto de Segurança Social, Edmundo Martinho, considera que "nem todas as soluções para os idosos se encontram nos lares" e que "o verdadeiro problema não é a velhice, mas sim a dependência".

A solução das famílias de acolhimento é determinada pela "inexistência ou insuficiência de respostas sociais eficazes que assegurem o apoio adequado à manutenção no seu domicílio da pessoa idosa ou pessoa adulta com deficiência" e a "ausência da respectiva família ou quando esta não reúna condições mínimas para assegurar o seu acompanhamento".

Fonte: Diário de Notícias

Já se previa...

22 dezembro 2007

"Portugal, Um Retrato Social" (II)

Chegou esta semana ao fim a colecção de Livros e DVD's da série Portugal, Um Retrato Social de autoria do sociólogo António Barreto e realização de Joana Pontes.
Esta fantástica série que faz um retrato da evolução da sociedade portuguesa esteve disponível por 9.95€ às 2ª feiras com o jornal O Público.

Este é um retrato do nosso país. Um retrato da sociedade contemporânea. É um retrato de grupo: dos portugueses e estrangeiros que vivem connosco. É um retrato de Portugal e dos Portugueses de hoje, que melhor se compreendem se olharmos para o passado, para os últimos trinta ou quarenta anos.

Os Livros e DVD's da colecção estão também disponíveis nas lojas FNAC. Porque não oferecer esta mais-valia aos seus amigos e familiares de prenda de Natal? Eu já ofereci a mim própria!!!

Gosto deste Miúdo!


Ministro da Saúde em Santo Tirso

Foi com um "queremos médico" reivindicado em uníssono sonoro que o povo de S. Tomé de Negrelos, em Santo Tirso, recebeu, ontem de manhã, o ministro da Saúde, em périplo pelo concelho que incluiu a inauguração da unidade de saúde familiar da Ponte Velha e uma visita ao Hospital Conde de S. Bento.

Correia de Campos responderia ao apelo na nova USF do Centro de Saúde de Santo Tirso, anunciando um aumento de 5% nas vagas para médico de família. "Estamos sem médico há um ano", queixava-se Felismina Moreira, utente do centro de saúde de S. Tomé, que não perdeu a oportunidade de desabafar de viva voz ao ministro. O marido, que foi operado ao coração, tem de fazer exames duas vezes a cada 12 meses. "Já não faz há um ano porque não temos médico", justifica. "A minha mãe tem 80 anos e uma reforma de 50 contos e tem de ir de táxi às Aves porque a médica de família está lá".

Apesar de a manifestação ter surpreendido Correia de Campos, os protestos e reivindicações não são novidade e poderiam ouvir-se em qualquer outro ponto do país, da boca dos cerca de 665 mil portugueses que, segundo contas do ministro, ainda não têm médico de família.

Maria Adelaide, utente também contestatária, adiantava, ao JN "Há seis mil pessoas aqui com falta de médico de família". Aos jornalistas, o director do centro de saúde apresentaria, porém, cálculos mais preocupantes. Entre 36 mil utentes, 9500 estão nessas condições, o que representa 26% da população, estima Luciano Santos.

Para fazer face a estes números, contam-se 16 profissionais em regime de não exclusividade, uma situação que "justifica um reforço dos recursos humanos", apelou o responsável.

Depois de garantir aos negrelenses que o centro de saúde não será encerrado, Correia de Campos sublinhou que a "falta de médicos de família é uma prioridade" do Governo e congratulou-se pelos resultados já atingidos "Quando chegamos ao Governo, havia 790 mil portugueses sem médico de família, número que já foi reduzido em 125 mil", notou. "Não descanso enquanto não houver um centro de saúde com doentes à espera de consulta antes das oito da manhã".

Fonte: JN

21 dezembro 2007

O Crime da Moda...

...Carjacking

Sucedem-se os casos de carjacking, a cada dia é noticiado um caso destes, tornando-se este tipo de crime deveras preocupante. Este novo tipo de crime necessita de estudos rigorosos para que o possamos prevenir, e na sua ocorrência actuar eficazmente na captura dos criminosos.

Perigo nos carros (carjacking)
O criminoso:
bandos armados e bem organizados
O alvo: condutores de carros de gama alta
Os ditos criminosos andam de pistola, apontam a arma ao condutor e tiram-no do carro em menos de um segundo. Arrancam e desparecem. Este tipo de assaltos tem aumentado bruscamente porque actualmente os carros têm alarmes e meios de protecção cada vez mais sofisticados o que torna praticamente impossível roubar quando se encontram estacionados. Daí a única maneira de os levar é atacar quando os detentores do veículo se encontram lá dentro ameaçando-os com armas e obrigando-os a saír.
Os carros roubados destinam-se, maioritariamente, às elites de outros países ou então são desmantelados e vendidos por peças.
Normalmente este tipo de crime ocorre nas auto-estradas ou vias rapidas, mas também já chegou às cidades onde as abordagens são cada vez mais violentas.

Ver outros novos crimes aqui.

20 dezembro 2007

Simplesmente vergonhoso...

...Alunos discriminados por classe social

O insucesso escolar é potenciado, em muitas escolas, pela escolha dos alunos com base no seu aproveitamento escolar e na sua origem social. Dois investigadores portugueses, especializados em Sociologia da Educação, constataram a selecção - ao arrepio da legislação existente e da própria Constituição - de alunos com base na análise do percurso escolar.

Os estudiosos apontam a existência de estabelecimentos de ensino muito próximos um do outro, mas com populações estudantis muito distintas, fruto de uma selecção que tanto dá origem a "nichos de excelência" como a "guetos de exclusão". Segundo afirmam, o comportamento "pouco democrático" de estabelecimentos de ensino público - que origina grandes assimetrias na rede de ensino - engloba, também, a constituição de turmas com base na diferenciação social e aproveitamento escolar.

Dois investigadores do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE) estudaram as desigualdades na educação e o seu reflexo no insucesso escolar. E chegaram à conclusão - fruto da investigação feita em escolas básicas e secundárias - que a escolha dos estabelecimentos de ensino é, cada vez mais, objecto de lutas e pressões sociais.

Pedro Abrantes visitou cinco estabelecimentos de ensino (três escolas públicas dos 2.º e 3.º ciclos e dois colégios privados) situados próximos uns dos outros, em Lisboa. E constatou as injustiças existentes no processo de selecção dos alunos na ocasião das matrículas. "Escolas situadas no mesmo bairro têm públicos claramente contrastantes. Numa, cerca de 50% dos alunos apresentam elevadas taxas de insucesso, e na outra, quase ao lado, esse número fica-se pelos 2%", realçou.

No estudo elaborado, Pedro Abrantes verificou que numa das escolas (frequentada basicamente por alunos de classes sociais desfavorecidas), 50% dos alunos tinham sido recusados noutro estabelecimento, normalmente aquele preferido pelas classes sociais média ou alta.

O investigador - que participa na avaliação externa de escolas - afirma que as estratégias de segmentação dos alunos são nítidas. "É a crise de um sistema supostamente igual para todos, mas que cria nichos de excelência e guetos de exclusão, o que é "um risco para a escola inclusiva e integradora", sustentou.

Pedro Abrantes vai mais longe, ao realçar a própria constituição da turmas. "Em muitas escolas, numa lógica perversa, constituem-se turmas com filhos de professores, médicos e juristas e outras onde predominam alunos problemáticos. Mais grave ainda é ficarem os professores mais velhos com as turmas de excelência, cabendo aos mais novos as restantes", concluiu.

Jornal de Notícias

19 dezembro 2007

Reeducação e Reinserção Social precisam-se!

Hoje li um artigo muito interessante no Jornal de Notícias acerca de um estudo realizado por Tiago Neves, investigador da Faculdade de Psicologia e Ciências de Educação da Universidade do Porto, que passou um ano em trabalho de campo num centro educativo e constatou que a indefinição da lei tutelar educativa, a severa disciplina sobre os técnicos que ali trabalham, bem como alguma deficiência na organização do trabalho resultam num falhanço da reeducação e reinserção social dos jovens delinquentes ali acolhidos.

Deixo aqui mais uma parte do artigo que me parece deveras importante:

Segundo a sua análise, a disciplina severa que é aplicada aos técnicos sempre que há distúrbios, fugas ou agressões a professores por parte dos jovens, leva a que estes adoptem uma estratégia sobretudo defensiva. O objectivo principal "é a atenuação da insegurança subjectiva e a redução da ocorrência de ilícitos". A educação fica prejudicada também devido ao facto dos técnicos mais especializados estarem "assoberbados com trabalho administrativo", ficando os jovens entregues a maior parte do tempo aos monitores - menos especializados, apesar da longa experiência que alguns já têm. A lei que criou estes centros para jovens delinquentes entre os 12 e os 16 anos (podendo o internamento ir até aos 21) define como prioridade educação para o Direito. Mas em lado nenhum se define o que isso seja. Esta indefinição, segundo o professor do Porto, tem um resultado os centros cumprem bem a sua função de acolhimento, na medida, em que proporcionam condições de alimentação, higiene e saúde muito boas, mas falha na reinserção.

Os jovens saem dos centros e regressam ao seu meio mantendo a mesma falta de noções éticas e com a mesma dificuldade em distinguir o bem do mal ou perceber o que isso significa. O Instituto de Reinserção Social, de que dependem os centros, não tem dados estatísticos sobre as reincidências, mas é comum ouvir os técnicos desta área afirmar que os jovens saem dos centros e pouco depois, atingida a idade permitida por lei, entram nos estabelecimentos prisionais. Para Tiago Neves era fundamental "treinar competências de mediação e resolução alternativa de conflitos com estes jovens". O professor constatou que quando algum deles discorda de alguma coisa "sai de cena ou então torna-se agressivo". Nenhum trabalho de mediação é feito para que compreenda por que não tem razão. Também não há suficiente trabalho de desenvolvimento moral. Não basta dizer-lhes que roubar "é feio". "Este tipo de oposição não é suficiente para formar um sujeito", diz.

Era necessário igualmente que os técnicos mais especializados, como sociólogos, psicólogos, etc., passassem mais tempo com os jovens e que os monitores tivessem uma formação mais específica.

Concordo sobretudo com este último excerto. No que concerne à reeducação e reinserção social revelam-se de grande importância os sociólogos, os psicólogos e eu diria mais: os educadores sociais. Mas infelizmente, o que assistimos é sobretudo a pessoas de Direito nestas áreas da delinquência juvenil e mesmo da investigação criminal. Pessoas que percebem das Leis mas pouco ou nada sabem sobre (re)educação e (re)inserção social, pessoas que não sabem como apostar e ensinar a prevenção. Prevenção, reeducação e reinserção são, mais do que palavras, atitudes fundamentais. Nos Institutos de Reinserção Social e noutras instituições deste âmbito, na investigação criminal, urge apostar mais em sociólogos e psicólogos. A delinquência não deriva de leis, deriva sim de comportamentos desviantes, quebra de regras e normas e ninguém melhor que os sociólogos para isto. Os psicólogos também se revelam de grande importância no que à personalidade de cada indivíduo diz respeito. E depois há outro tipo de profissionais que estou em crer que pouco recorrem e que a mim me parecem de importância crucial: os educadores sociais. Ninguém melhor que eles para trabalhar a reeducação de jovens delinquentes e também para trabalharem na área da prevenção de comportamentos desviantes.
Ainda um dia destes falava com o meu tio-avô (ex-inspector da Polícia Judiciária) sobre investigação criminal e ele próprio me dizia que os técnicos de Direito eram os menos preparados para muitos dos trabalhos de investigação criminal, porque são pessoas que pouco sabem de trabalho de campo. Sabem das leis, e pronto.

Continuo a achar que para tudo o mais importante é a prevenção!