26 janeiro 2009

Criminalidade juvenil violenta a aumentar

Todos os dias nos apercebemos que, em todo o país, há um tipo de criminalidade violenta que está a florescer. A crise económica influencia evidentemente este fenómeno. Mas não é a única justificação. A própria resposta da Justiça deve ser pensada ao nível da criminalidade juvenil. Temos uma função repressiva e o problema que estamos a assistir é a uma explosão de jovens a praticar crimes com um sentimento de alguma impunidade. Sem pôr culpas a ninguém, questiono se temos um sistema adequado em termos de jurisdição de menores a trabalhar esta realidade antes da prática deste tipo de crimes? Por regra, antes deste tipo de crimes há pequenos delitos e sinais de desestruturação social. A explosão da criminalidade é a criminalidade juvenil.

Temos cada vez criminosos mais jovens. Muitos deles sem antecedentes. Para a PJ, torna-se complicado porque, não havendo referências anteriores, o trabalho é iniciado do zero. Muitos roubos são feitos em cima do joelho, sem planeamento. As últimas detenções são de gente muito nova. Os clássicos criminosos, com antecedentes criminais e mais violentos, na zona do Norte, estão presos. Temos assistido a assaltos de um nível mais baixo, de restaurantes, de farmácias, de CTT, que antes seriam vítimas de furtos mas não roubos [com violência]. Está-se a assistir a uma explosão de criminalidade violenta, mas ao mesmo tempo em termos de quantitativos são muito pequenos. É quase o sustento para o dia-a-dia...

Entra também o desemprego. Pessoalmente, penso que também entra a forma como foram construídos e delimitados alguns bairros sociais. A polícia de proximidade tem alguma dificuldade em ter acesso a eles. Aquando da construção não se pensou na segurança nem na facilidade com que a polícia pode intervir. Foi um período histórico em que se tentou resolver o problema da habitação, mas acabou por transformar-se em guetos . Aí, as referências são elementos que exibem carros e dinheiro, apesar de terem problemas de famílias desestruturadas, e não encontram outras referências sociais.


Director da Polícia Judiciária, João Batista Romão no Jornal de Notícias

15 janeiro 2009

Escola inclusiva ou exclusiva?

"A "escola inclusiva" criou assimetrias sociais tremendas e converteu os filhos dos pobres em bodes expiatórios".

Helena Matos

Até que ponto a escola faz uma devida inclusão dos seus alunos? A escola inclui os alunos provenientes de famílias com escasso capital económico e cultural da mesma forma que inclui os alunos mais abastados económica e culturalmente? Os alunos das minorias étnicas e culturais, não serão eles excluidos pela cultura dominante com consequências no meio escolar?

A inclusão/exclusão na escola é um tema o qual prometo falar mais tarde com destaque para a educação multicultural, ou seja, no que concerne à inclusão e integração das minorias étnicas na escola.

14 janeiro 2009

Certificado de Qualidade para os Bombeiros de Vila das Aves

Os Bombeiros de Vila das Aves receberam da SGS ICS, o maior organismo mundial de certificação, o Certificado de Qualidade ISSO 9001. Trata-se do primeiro corpo de bombeiros a receber esta certificação a nível nacional.

Fundada em Julho de 1977, a Associação Humanitária dos Bombeiros de Vila das Aves tem no seu activo além do Comando, 80 bombeiros e 37 bombeiras num total de 117 elementos.

De salientar que a associação humanitária "irá construir a médio prazo uma clínica para Cuidados Continuados e Termas, aproveitando assim as águas sulfurosas do Amieiro Galego para tratamento da pele e para gabinetes médicos e de especialidade.

EntreMargens

12 janeiro 2009

Cristiano Ronaldo: o melhor jogador do mundo 2008!


Depois de em 2008 ter ganho o campeonato inglês e a Liga dos Campeões (pelo Manchester United), assim como a Bota de Ouro e a Bola de Ouro (a nível individual), eis que hoje Cristiano Ronaldo é nomeado o melhor jogador do mundo 2008 pela FIFA.

Temas da actualidade (VIII): Idosos vítimas de maus-tratos

Em Vieira do Minho, estão a ser dados os primeiros passos para trazer a questão dos maus tratos a idosos para a praça pública com a criação, há poucas semanas, do centro de atendimento a idosos vítimas de maus-tratos.

Este é um fenómeno "assustador que infelizmente, vai sendo tolerado pelas pessoas e agentes no terreno". O psicólogo dá vários exemplos de "maus tratos gerais" feitos aos mais velhos: "eu tenho duas pastas completas com pedidos de pessoas para virem para a Misericórdia e não há respostas sociais, não há lares. Há é um abandono total por parte dos políticos".

A primeira utente do centro de atendimento foi sinalizada por uma vizinha. Tem 90 anos, mora numa freguesia próxima do centro de Vieira do Minho. Não sabe ler nem escrever. "Toma conta dos, alegadamente, netos toxicodependentes. Roubam-lhe a reforma e batem-lhe. A senhora tem medo de ir para casa". Gente desprotegida que precisa de alguém que os ajude "até porque estão emocionalmente debilitados".

As questões de dinheiro, de partilhas e de heranças, os problemas demenciais e físicos são os motivos principais para os maus tratos. "Há um senhor que vai ao notário para tratar dos seus bens. Não sabe ler nem escrever e confia no notário que não se portou bem. Foi a sua sentença de morte porque é todos os dias ameaçado pelos familiares". Por isso, para Tito Peixoto "é importante que a metodologia adoptada dê respostas a quem procuro o centro, prestando apoio psicológico para que as pessoas se sintam bem e mantendo o anonimato".

Um dos papéis fundamentais vai ser atribuído às equipas de apoio domiciliário: "poderão ser a primeira linha na detecção e sinalização de casos". Para o psicólogo, os idosos, ainda encaram os maus tratos com "vergonha" e é preciso, por isso, "despertar as vítimas porque esta realidade deveria ser uma vergonha social para todos nós e não para as vítimas".

[Jornal de Notícias]

Ler também:
http://sociologavense.blogspot.com/2008/11/violncia-dos-filhos-sobre-os-pais.html

11 janeiro 2009

09 janeiro 2009

O Magalhães

"José Sócrates tem um, os seus assessores têm um, todos os chefes de Estado da América Latina têm um. Em Portugal quase 200 mil crianças já pagaram e ainda não têm o Magalhães."

Censura electrónica?

Está a nevar em Vila das Aves!






















08 janeiro 2009

Pobreza económica ou pobreza de espírito?

A pobreza é um fenómeno demasiado complexo e que urge uma explicação muito elaborada. O conceito de pobreza é visivelmente identificado como sendo uma situação de necessidades materias, isto é, pelo seu lado económico. Todavia, a ela acorrem também elementos de ordem psicológica, social, cultural, espiritual, etc. No entanto, aqui focar-nos-emos na pobreza apenas nas suas dimensões de necessidade material (uma situação de privação de bens e serviços necessários) e de circunstâncias económicas com a consequente falta de recursos.

Deixemo-nos de definições e teorizações e passemos de facto à mensagem que me incubo de apresentar. Estes dias dei por mim a pensar, através de informações que vou recebendo de diversos meios e de situações com que me fui deparando na minha curta vida profissional, em determinadas ocorrências do quotidiano familiar e social de certos indivíduos a quem a pobreza vai atingindo. Contudo, estou em crer que mais que uma pobreza a nível material (que não nego que a tenham) a muitos indivíduos aparentasse-lhes uma pobreza de espírito.

Ainda assistimos hoje a famílias nuclear-conjugais que têm diversos filhos e cujos recursos económicos não lhes permitem ter uma habitação devidamente decente para uma vivência dentro da normalidade. Deparamo-nos com irmãos de sexo oposto a dormirem juntos, filhos a dormirem com pais até uma tenra idade, situações estas pautadas de uma vulnerabilidade económica e, não raro, uma consequente vulnerabilidade social. Muitas vezes tal ocorre por habitarem em casas degradas, cujo número de divisões não permite albergar devidamente os indivíduos. No entanto, muitas vezes tal deriva da própria opção dos pais que não se incomodam e até apoiam que irmãos e irmãs durmam juntos ou que os mesmos durmam com os pais, começando desde novos a assistirem a relações sexuais dos seus pais, a tentarem descobrir e explorar a sua sexualidade com os irmãos pois assistem a toda uma promiscuidade familiar. Aqui falo de pobreza de espírito.
Recordo aqui como exemplo uma casa que percorri no meu trabalho de rua no meu anterior emprego em que num T3 viviam 11 pessoas, um casal com 4 filhos, 4 sobrinhos e um senhor idoso. Recordo-me de outra casa onde nos quiseram mostrar a sua habitação T3, muita pequena, onde nem sequer existiam portas que fechassem as divisões pondo a família numa vivência de promiscuidade. Mas aqui também lhe chamo pobreza de espírito pois denotava-se, pela linguagem dos filhos, o ambiente familiar mentalmente decadente.

Não me alongarei mais, objectivei apenas aqui deixar uma mensagem e alguns exemplos. Apelar à atenção das pessoas para o que vai acontecendo na vida real e com o que não nos parecemos importar. Temos que combater estas situações de "pobreza", resta saber como...

Joaquim Pereira candidato à Junta?

Depois de José Graça avançar como candidato independente à Câmara Municipal de Santo Tirso, certamente com um incentivo do Eng. Castro Fernandes com o intuito de tirar votos ao PSD, eis que aqui por Vila das Aves se especula que Joaquim Pereira (actual vice-presidente do C.D. Aves) possa candidatar-se à Junta de Freguesia. Pelo PP ouvi eu dizer há já alguns meses. Como Independente soou-me aos ouvidos esta semana. Será também mais uma manobra de Castro Fernandes para tirar votos ao PSD uma vez que o sr. Pereira já vez parte de um executivo PSD relativamente recente?

07 janeiro 2009

Para não dizerem que a mulher não fala...




Manuela Ferreira Leite desafiou o Primeiro-Ministro para um debate público sobre a crise e política económica.

06 janeiro 2009

Uma mudança de paradigma para Portugal

Feito o balanço do ano terrível de 2008, é o momento de reflectirmos sobre o que aí vem - ou nos parece que vem, porque as previsões são falíveis - em 2009. 2008 foi terrível por efeito do colapso do neoliberalismo (de consequências tão sérias como o colapso do comunismo), que conduziu à grande crise global do capitalismo financeiro-especulativo e ao descrédito ético, político e económico do sistema em que temos vivido, no Ocidente, na última década ou talvez um pouco mais...

Mas foi também um ano de mudança, porque temos de procurar um novo paradigma, visto que, manifestamente, o que tínhamos não serve. Trouxe corrupção, numa escala nunca vista, falências, desconfiança, desemprego, desigualdades, mais pobreza, e quem sabe se trará ainda revoltas, fruto do descontentamento...

Na América, foi eleito um novo Presidente da República, que despertou uma luz de esperança. Mas que, quando se candidatou, parecia impossível vir a ser ganhador: Barack Obama. Por ser afro-americano, jovem, quase desconhecido, sem grande experiência. Mas foi eleito exactamente por isso. Por ser diferente, não pertencer ao establishment e querer convictamente a mudança, ou seja, uma ruptura com o passado.

[Mário Soares]

Portugal também precisa de mudança, de mudança de paradigma. Mudança de rostos, mudança de políticas. Portugal enfrenta uma grave crise e que se acentuará no presente ano. Precisamos de uma mudança de paradigma... O que fazer para mudar o paradigma? Agora lembrei-me de Kuhn e a revolução proposta por ele no debate epistemológico. Com base nas teorias de Kuhn poder-se-á dizer que um paradigma que é aceite pela comunidade é aquele que é capaz de proceder a aplicações e à resolução de problemas previstos ou previsíveis no âmbito paradigmático. Tentamos remeter este discurso e consequentes efeitos para o âmbito da política: É isto que Kuhn chama a ciência normal (aqui falemos em política) e que os cientistas (políticos) fazem todo o possível por manter. Todavia, quando o paradigma adoptado não suporta mais o confronto entre anomalias (a crise e os seus efeitos negativos: falências, desconfiança, desemprego, desigualdades, mais pobreza, etc.) é que eles se predispõem a procurar outro paradigma.
Assim se abre um período de crise (pelo qual estamos nós a passar) que será resolvido por uma revolução científica (precisaremos nós, Portugal, de uma revolução política?), com a instauração de um novo paradigma e o regresso a uma situação de ciência normal (governação normal).

Conclusões: Portugal precisa de uma mudança de paradigma, Portugal precisa de uma nova governação, Portugal precisa de uma nova cara à frente dos seus destinos, Portugal precisa de mudança!

Sem palavras...