18 agosto 2007

Os regimes totalitários - A submissão das massas

Qualquer regime totalitário actua sempre sobre sociedades de massa, sociedades dos indivíduos atomizados, sem capacidade de se integrarem numa comunidade, isolados. Esta atomização dos indivíduos resulta dos sentimentos de inutilidade que os percorrem, da sua falta de convicção e luta política, do seu desinteresse generalizado no que diz respeito a todos os campos de vida social. É este o ideal-tipo do Homem de massa. É sobre estes indivíduos que actuam os regimes totalitários, de modo a organizá-los e a conseguir deles um apoio e lealdade incondicionais, uma adesão emocional (nunca racional).

As ditaduras de Hitler e Estaline mostram claramente o facto de que o isolamento de indivíduos atomizados não apenas constitui a base para o domínio totalitário, mas é elevado a efeito de modo a atingir o próprio topo da estrutura.
Hannah Arendt
Assim, as massas não congregam os indivíduos em virtude de um interesse comum, mas sim de uma condição comum: quando as pessoas não são capazes de se integrar, estão desenraizadas, logo têm uma condição comum, os líderes vão aproveitar essa condição para mobilizar as massas. Estas têm para com ele uma lealdade incondicional que a certa altura se torna independente do conteúdo ideológico do discurso do líder; independentemente disso a massa vai segui-lo. Existe entre o líder e as massas uma relação de identidade total, de total identificação. Os indivíduos depositam toda a sua esperança no líder.

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